ETERNA APRENDIZ
Por Vânia Flores
Contar a minha história é para mim uma
grande satisfação. Amo minha história, me emociono com ela, como as coisas
aconteceram, as coincidências, os fatos surpreendentes, os momentos difíceis.
Mas, como todo ser humano, tenho muito a contar e selecionar alguns momentos
será tarefa muito difícil. Vamos lá.
Meu nome é Vânia de Fátima Flores Paiva, mas gosto de Vânia Flores. Nasci no dia 15 de maio de 1969, mês que adoro também. Meu aniversário é marcado por lembranças. Uma delas é o que eu sempre fazia neste dia: escrever, fazer uma retrospectiva do ano que havia passado e projetar o ano que estava vindo pela frente. Coisa que deixei de fazer devido aos inúmeros compromissos que criamos na vida adulta. Mas veja só o que o destino me preparou. Hoje, exatamente às vésperas do meu aniversário estou fazendo uma retrospectiva, mas não de um ano apenas e sim de todos meus anos vividos. E olha que já foram muito... Você sabe!!!
Meu nome é Vânia de Fátima Flores Paiva, mas gosto de Vânia Flores. Nasci no dia 15 de maio de 1969, mês que adoro também. Meu aniversário é marcado por lembranças. Uma delas é o que eu sempre fazia neste dia: escrever, fazer uma retrospectiva do ano que havia passado e projetar o ano que estava vindo pela frente. Coisa que deixei de fazer devido aos inúmeros compromissos que criamos na vida adulta. Mas veja só o que o destino me preparou. Hoje, exatamente às vésperas do meu aniversário estou fazendo uma retrospectiva, mas não de um ano apenas e sim de todos meus anos vividos. E olha que já foram muito... Você sabe!!!
Minha infância foi alegre, uma família unida, feliz, muitos irmãos, dez contando comigo. Imagine como era essa casa. Recordo-me muito de minha mãe grávida, pois sou a 5ª da família. Quando ia ter os filhos, meu pai falava: “Mamãe e papai vão buscar um irmãozinho”. Passados 2 ou 3 dias eles chegavam com mais um ser que faria parte da nossa família, uma grande e feliz família. Exemplo disso é que nunca vi meus pais discutirem um “a” sequer.
Aproximadamente 3 anos
Entrei na escola em 1976, ainda ia completar sete anos. Não fiz a Educação Infantil, porque naquela época ainda não existia esse nível de ensino na minha cidade, "Ibituruna". A escola ficava bem próxima da minha casa, era só atravessar a rua e era a única escola da cidade. Aprendi a ler muito rápido. Fui alfabetizada pelo Método Global de Contos com a História dos Três Porquinhos, um método que tem por característica, desenvolver a imaginação e a criação. Lembro-me nitidamente da escola, dos canteiros de verduras que cada turma tinha. Do recreio, então! Era uma delícia, aproveitar aqueles poucos minutos para brincar, pois minha mãe não deixava a gente brincar na casa de colegas. Acredito que isto se deva ao fato de meus pais não serem de Ibituruna, mudaram para lá quando se casaram, muito novinhos. Em vez de cuidar da terra, atividade que fazia antes de se casar, na cidade de São Tiago, MG, ele preferiu administrar a padaria que meu avô tinha em Ibituruna. Mas, voltando à escola, uma coisa é muito forte em minha memória: todos os dias ao final da aula, a professora contava uma parte de uma história, como se fosse uma novela. Eu ficava doida para chegar o dia seguinte e continuar ouvindo aquela história, o que viria depois, o que aconteceria com os personagens. Outro fato que me lembro bem, foi quando minha turma fez uma excursão na padaria, que na época já pertencia aos meus pais. Fiquei muito feliz em ver meu pai explicando para meus colegas, como se fazia pães.
Pátio da escola: espaço de muitas brincadeiras e recordações infantis
Quando fui para a 4ª série em 1979, fui estudar na cidade vizinha, "Bom Sucesso". Isto porque minha irmã mais velha foi fazer o Magistério que não era oferecido em Ibituruna. Foi uma época difícil e boa ao mesmo tempo. Nesta época é que tive meu primeiro trabalho. Imagine, com 11 anos fui babá do filhinho da minha professora, que confiou em uma garotinha os cuidados de um nenem. Fico pensando, uma criança cuidando de outra. Nesta época minha mãe ficava com a gente uns dias da semana em Bom Sucesso e nos outros ficava em Ibituruna com meus irmãos que haviam ficado com o meu pai para ajudar na padaria. Era um ir e vir toda semana.
Mesmo com algumas responsabilidades, o período da 5ª à 8ª série foi fantástico. Quantas coisas novas que descobri! Estudar a Língua Inglesa me fascinava. Aprendi a jogar voleibol na escola, que foi uma grande paixão, fiz curso de datilografia, ganhei um concurso de Redação na 6ª série, gostava muito de fazer pesquisas e caprichar nelas, tirava notas muito boas na escola e com isso, as mães de colegas que apresentavam alguma dificuldade nas matérias acabavam me pedindo para eu estudar junto com suas filhas para poder ensiná-las. Sentia-me muito bem podendo colaborar.
Em 1983, retornei à Ibituruna, na 8ª série, quando minha mãe foi ter meu irmão caçula. Voltei para ajudar meu pai e irmãos na padaria e nos afazeres da casa. Fato intrigante é que sabia que a vida parecia difícil, mas isto nunca me incomodava, sempre acordava animada e disposta a fazer o que viria pela frente, como por exemplo ajudar meu pai a fazer pães, tomar conta do balcão e dos afazeres domésticos, sem esquecer de forma alguma de estudar, coisa que meu pai dava muito valor.
Em Ibituruna fiquei apenas mais um ano (8ª série), pois lá era e continua sendo uma cidade pequena (Uma delícia de cidade!) e não oferecia o Ensino Médio, que na época era chamado de 2º grau e nem o Magistério, que foi minha opção após concluir o primeiro grau.
No Magistério me encontrei. Foi um tempo mágico em minha vida. As disciplinas deste curso tinham muito a ver comigo. A psicologia, as didáticas, a filosofia... Como me identificava vom elas! E talvez seja este o motivo pelo qual (não me lembro bem de como foi) eu ter feito a opção pelo curso de Pedagogia na Graduação, depois de não ter a possibilidade de fazer o curso de Educação Física, que era outra paixão. Conclui o Magistério em 1986.
Contação de histórias - Magistério
Meu pai não media esforços para nós. Sempre estudei muito e penso que isso foi devido aos incentivos de meus pais, que embora possuíssem poucos estudos, sempre fizeram tudo para que os filhos pudessem estudar, dando condições para isso. Às vezes, aliás, na maioria das vezes, saíamos de madrugada na 2ª feira de Ibituruna e íamos direto para a aula em Bom Sucesso. E na 6ª feira à noite, lá estava ele, aguardando meus irmãos que estudavam à noite, e após a aula retornávamos para Ibituruna. Quando ficávamos com muita saudade da minha mãe, que nesta época não estava conosco (eu e mais 2 irmãs), ele nos buscava no meio da semana em Bom Sucesso para passarmos uma noite reunidas com a família em Ibituruna. Ele se mostrava muito feliz em ver os filhos encaminhados. Tenho em minha memória as palavras dele orgulhoso: "Tenho cinco filhas, professoras". Meus pais são minha referência no jeito em que vejo o trabalho e a vida. É impossível falar de mim, sem me referir a eles. Quantas madrugadas acordava com o barulho das máquinas na padaria e pensava: - Lá está meu pai, trabalhando para o sustento da família e nós aqui, deitados, no quentinho da cama. Dava vontade de levantar e ir lá, trabalhar com ele, mas o gostoso da cama falava mais alto.
Eu sempre gostei muito de estudar, tanto gostava que juntamente com o Pedagogia cursei também o 2ª grau, hoje Ensino Médio. Sempre acreditei que todas as disciplinas tinham algo a ensinar, inclusive a matemática e a física que muitos colegas odiavam.
Cheguei ao Pedagogia na época em que o governo havia publicado uma lei em que os professores que já atuavam poderiam ter o "acesso", ou seja, subiriam de nível na escala do Plano de carreira, caso fizessem um curso superior e com isso seus salários aumentariam. Conclusão! Talvez eu fosse uma das alunas mais novas da turma. Era uma sala cheia de senhoras, muitas quase se aposentando e eu lá, com 18 anos no meio daquela mulherada, não tinha um garoto sequer. Tive vontade de mudar de curso, não por causa da falta de garotos, mas por questionamentos internos se era aquilo mesmo que queria. Afinal de contas, eu estava começando um curso superior, e isso significaria o rumo que minha vida profissional iria tomar. Então tentei ir para as Ciências Biológicas, fiquei algumas aulas lá. Adorei, tinha gente jovem, animada, gostava dos conteúdos também, mas não consegui a mudança. Acabei ficando no Pedagogia. Mas amei fazer o curso e me identifiquei com ele e com as "alunas senhoras". Caprichei nos estudos, pois tenho comigo que deva sempre fazer e dar o melhor de mim em qualquer coisa que eu faça.
Formatura - Pedagogia
Concluído o curso de Pedagogia em 1989, mudei-me para Varginha em 1990, onde fiz um concurso público municipal e passei muito bem. Fiz outro e passei também. Muito cedo já estava com dois cargos de professor efetivo na Prefeitura. A diretora da escola confiou em meu trabalho e me convidou para ser vice-diretora em um dos meus cargos. Como vice-diretora e professora simultaneamente, aprendi a parte administrativa e pedagógica. Um tempo de colocar as teorias em prática, de testá-las, de ganhar a famosa experiência, de estar em contato com alunos e comunidade. Um contato maravilhoso, pois descobri que para trabalhar em escola, o profissional precisa gostar de gente e eu gosto, muito. Neste período, também fiz minha primeira pós-graduação e complementação em Administração Escolar.
Alunas na minha casa - Início de carreira
Minha vida profissional ia muito bem, não perdia nenhuma oportunidade de me aperfeiçoar, fazer cursos. Mas em 1994, eu e minha família tivemos uma grande tristeza: meu pai veio a falecer aos 53 anos de idade, por infarto fulminante. Sem palavras! A vida precisava continuar e precisávamos continuar também. Após a morte de meu pai, em meio a grande tristeza, estranhamente bateu-me uma sensação de conforto. Refleti sobre esta sensação e conclui que havia sido uma boa filha e por isso não existia dentro de mim, nenhum remorso em relação a ele. Isso me dava forças para continuar a minha trajetória pessoal e profissional.
Em 1996, por força da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), algumas escolas estaduais começaram a ser municipalizadas. Neste tempo histórico da educação, eu apresentava alguns requisitos que foram decisivos no convite que vim a receber para o cargo de diretora de uma dessas escolas. Eu tinha 27 anos, havia me casado há apenas um mês. Apoiada por meu recém-esposo Mauro e louca por desafios, assumi a direção de uma dessas escolas.
Noivado - Janeiro/1996
Casamento - Dezembro/1996
Muita transformação na minha vida. Casamento, cargo novo, muito trabalho, uma comunidade inteira para fazer-me aceita, pois a municipalização foi por muitos considerada uma invasão. Como diretora, fiquei por três mandatos consecutivos, totalizando 13 anos. Um por convite e dois por eleição direta da comunidade. Nas eleições para direção é que percebi como fui bem aceita pela comunidade, tanto de pais como de profissionais da escola. E eu queria honrar as pessoas que confiaram em mim, fazendo o meu melhor para cuidar não apenas de patrimônios, mas principalmente de seres humanos.
Neste período tive muitas experiências incríveis e difíceis também, nas quais, muitas delas, acredito, terem sido colocadas as mãos de Deus. Posso dizer das crianças que machucavam na escola, das ausências de muitos professores em um mesmo dia, dos pais insatisfeitos com alguma questão. Mas me lembro também da foto aérea da escola, em que não tínhamos recursos para tamanha produção e com o "universo conspirando a favor", conseguimos produzi-la; da revista comemorativa dos 50 anos da escola, que foi produzida com recursos de patrocínios; do coral composto pelos funcionários e que foi o maior sucesso; da produção do curta-metragem que nos honrou o 1º lugar no Festival de Cinema de Varginha; dos grandes eventos com a participação dos alunos e das famílias; do trabalho em equipe e principalmente daqueles alunos que com muita dificuldade e esforço de todos, conseguiram ser alfabetizados. Lembro-me também daqueles, que mesmo sendo considerados "indisciplinados", mas que eram a nossa razão de estar ali, trabalhando, buscando por uma escola que fizesse diferença na vida deles, não podendo me esquecer da construção do parquinho, que ficou lindo, tudo com parcerias, criatividade e que levou alguns anos para ficar pronto.Também neste período tive minhas duas filhas, Giulia e Lívia. Elas tiveram uma mãe um tanto ausente em casa, devido aos compromissos profissionais, pois estar na direção de uma escola, como de fato acontece é "dedicação exclusiva".
Revista
comemorativa dos 50 anos da escola
Lançamento da Revista
Escola vice-campeã do campeonato de Futsal de Pais
Construção do Parquinho - Alegria das crianças
Direção escolar - Quanta responsabilidade!
Nessa mesma época fui aprovada no concurso para Supervisão Pedagógica. Assim, quando deixei o cargo de direção, em meados de 2009, assumi o cargo de Supervisora Pedagógica na mesma escola, onde permaneço até os dias atuais. A supervisão escolar é outra experiência que também tem me trazido muitos desafios e conquistas. Também nos anos de 2008 e 2009 lecionei as disciplinas Gestão Escolar, Projeto Político-Pedagógico e Práticas de Formação Docente no curso de Pedagogia. Foi aí que surgiu o desejo de fazer o Mestrado.
Formação continuada de professores
Amizade do Mestrado - Parceria profissional
Luciana Serafim- Formação Continuada - Educação mediada por tecnologias
Projeto Copa do Mundo
O meu mais novo desafio em termos de educação está acontecendo no momento presente: "O Mestrado Profissional em Educação na UFLA". Estudei muito, me dediquei muito para o processo seletivo. Mas penso que a minha condição para ter entrado no Mestrado começou mesmo, quando entrei na escola, porque sempre levei os estudos muito a sério e nunca parei de estudar. Também tenho que destacar o apoio de meu esposo Mauro nesta caminhada. Com ele, cuidando de nossas filhas e até mesmo da casa, tenho mais condições de investir nos estudos, como aprecio.
Meu esposo: Grande apoio na minha vida profissional
Lívia e Giulia: Paciência com a mamãe
Família: Tudo de bom!
Família Flores atualmente
Minha mãe Cléria e suas cinco Flores
Orgulho do meu pai - Milton Caputo Flores
"Tenho cinco filhas, professoras"
E aconteceu... Estou aqui, fazendo novamente o meu melhor. Pelo título? Não vou mentir. Também! Mas principalmente por mim mesma, pelo prazer que o aprender me proporciona, pela satisfação de ser alguém sempre em construção, "uma eterna aprendiz".
Seminário - Apresentação do Projeto de Pesquisa
Professor Ronei Ximenes Martins, meu orientador
Como aprendo com ele!
Profa. Cláudia Ribeiro, eu e Prof. Valdemar Sguissardi
Horário de almoço: Uma pequena folga!
Eu, Andréa e Luciana
Turma Number One - Mestrado - UFLA
Profa. Tania Romero (no centro) e alunas
Disciplina: Linguagem e Identidade Docente
Razão desta autobiografia e deste blog
Professora Tania,
Com você construímos muitos conhecimentos, mas acima de tudo, e que marca profundamente a minha identidade e que contribui para a minha formação docente, é "o seu jeito de ser professora".
Por meio de suas atitudes, gestão da sala de aula e da relação estabelecida entre professor-aluno, percebo o quanto essa relação afetiva e respeitosa é determinante para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem e como nos constituímos nesta interação.
O estudo da Linguagem e da Identidade nos torna mais humanos e compreensivos.
JUNHO / 2012










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